

O Grupo de Geotecnologias em Ciência do Solo (GeoCiS), do Departamento de Ciência do Solo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) recebeu um importante reconhecimento do Dokuchaev Soil Science Institute, da Rússia, instituição considerada o berço da pedologia. A equipe foi destacada como referência global no estudo dos solos e recebeu uma menção de destaque da Academia de Ciências da Rússia, por meio do Ministério da Ciência e Educação da Federação Russa.
O GeoCiS é coordenado pelo professor José Alexandre Demattê. “Esse reconhecimento, concedido pelo Dokuchaev Soil Science Institute, tem grande relevância, pois vem de uma das mais prestigiadas instituições da ciência do solo no mundo”
A menção ressalta o GeoCiS como um dos líderes globais nas áreas de pedologia, mapeamento e sensoriamento remoto aplicados ao estudo dos solos. Segundo o documento oficial, "o grupo se destaca também por desenvolver os caminhos mais inovadores da ciência do solo."
Contribuições Científicas e Impacto
Um dos principais destaques mencionados pelo instituto é a Biblioteca Espectral de Solos, desenvolvida pelo grupo. Esse projeto levou mais de 25 anos para ser concluído e contou com sete projetos financiados pela FAPESP e CNPq, envolvendo mais de 80 pesquisadores brasileiros de diversas instituições. “A Esalq desempenhou um papel essencial na disseminação dessa técnica em todo o país. Se em 1998 existiam apenas três instituições atuantes nesta área, hoje já são dezenas," afirma o professor Demattê. Parte dessa trajetória foi descrita em uma publicação no prestigiado Dokuchaev Soil Bulletin (Novais et al., 2024, https://doi.org/10.19047/0136-1694-2024-119-261-305).
Além do impacto nacional, o GeoCiS expandiu suas atividades para o cenário global. Atualmente, o grupo coordena o projeto WorldSpecs – Serviço de Análise de Solos via Espectroscopia do Mundo, que reúne mais de 100 pesquisadores internacionais. Esse projeto representa um avanço significativo na comunicação global sobre solos, viabilizando análises por meio de sensores e permitindo acesso a dados de diferentes partes do mundo.
Outro grande avanço será a criação de uma plataforma gratuita e interativa, onde usuários poderão realizar análises de solo diretamente na nuvem. Apesar dessa inovação, o professor Demattê destaca que o modelo adotado será estimativo, e não determinístico, o que significa que os laboratórios tradicionais continuarão sendo essenciais para garantir precisão nos resultados. “O sistema funcionará de forma híbrida, unindo tecnologia e métodos laboratoriais para maior eficiência”, explica o docente
Reconhecimento e Perspectivas Futuras
Para o professor Demattê, esse reconhecimento reforça a importância do trabalho desenvolvido, mas o mérito vai além de um único grupo. “Temos que destacar a qualidade dos profissionais do departamento de Ciência do Solo da Esalq, ressaltando que o sucesso resulta do esforço coletivo. Nosso diferencial é o trabalho em equipe, e essa conquista reflete o empenho de todos os pesquisadores envolvidos," afirma.
O reconhecimento internacional reafirma a posição da Esalq como um dos principais centros de excelência em ciência do solo no mundo. Com iniciativas inovadoras e parcerias globais, o departamento segue impulsionando o avanço da pesquisa, promovendo novas tecnologias e ampliando o impacto do conhecimento científico na agricultura e no meio ambiente.
“Com uma base sólida construída ao longo de décadas e um olhar voltado para o futuro, o GeoCiS continua expandindo fronteiras e consolidando o Brasil como referência mundial na ciência do solo, finaliza Demattê.
Texto: Caio Albuquerque, com informações do Prof. Jose Alexandre Demattê (3/4/2025)